
Correção e desenvolvimento
Alguns professores de violão acreditam que sua função é ter um bom conhecimento de música e passar a aula apontando erros dos alunos. Esse tipo de comportamento costuma ser nocivo ao desenvolvimento do aluno. Se quisermos que o aluno aprenda música realmente, é preciso ter visão de longo prazo e fazer com que nossas correções almejem o aprendizado de maneira eficiente.
Quando o aluno se coloca na presença de um professor, ele espera que o profissional encontre aspectos que sozinho não encontraria, justamente por não possuir conhecimento para tal. Por isso, é de suma importância que o professor dê retorno ao aluno do que está acontecendo no ciclo de aprendizagem. Isso não quer dizer que o professor deva descarregar todo o seu conhecimento em curto tempo de aula. É necessário que o retorno ao aluno seja sensato.
O objetivo do retorno é principalmente reforçar as habilidades que estão sendo desenvolvidas e evitar que certos erros persistam no caminho educacional do aluno. Por isso o retorno deve ser intencional e ter um objetivo claro. De nada adianta um retorno gratuito sem antecedentes ou consequentes. Na verdade, todo retorno presume uma direção prévia e um acompanhamento posterior.
Não é raro que o professor de música realize correções de aspectos que não ensinou ou que não demonstrou claramente. Por isso, as correções acabam sendo ineficientes, afetando negativamente o humor do aluno em sala de aula. O ideal é que o professor ensine uma habilidade com absoluta clareza, para que possa dar o retorno corretivo com igual clareza.
Outro ponto de atenção é a desproporção entre o retorno corretivo e o reconhecimento. Geralmente quando há muitos retornos corretivos em relação ao reconhecimentos, a tendência é que a motivação do aluno diminua e a habilidade se deteriore em vez de melhorar.
Aula 15
No livro “A arte de dar feedback” há um capítulo escrito pela Christina Brelaszaka DuVernay. A autora ressalta que organizações cujos funcionários receberam comunicação de reconhecimento com mais frequência perceberam uma melhora no ambiente de trabalho. Além disso, ela observa que as ações de reconhecimento não tem necessidade de serem grandiosas. Às vezes um bilhete de reconhecimento ou um elogio do funcionário perante a direção já é um excelente incentivo.
Também é bastante comum a realização de retornos gerais. Isso costuma fortalecer o ego do aluno e diminuir as habilidades. Por exemplo, apreciações como “você fez muito bem” ou “parabéns” ou “está muito bonito” são absolutamente ineficazes no aprendizado. Reforçam no aluno um estado de presunção que pode ocasionar até frustração quando ele encontrar um desafio significativo. Em vez disso, uma possibilidade é realizar retornos específicos apontando as consequências, como “o dedo 4 está de frente para a corda. Isso auxiliará quando você for aprender um acorde X”.
O retorno basicamente funciona como uma direção para o aluno perseguir. Transformá-lo em um tribunal apenas ressaltará o ego tanto do professor, quanto do aluno. Dessa maneira, é fundamental que o professor de música realize devolutivas estruturadas e intencionais para que o aprendizado seja consolidado e eficiente.

